Um Exemplo Vivo em Hermógenes

Em quase 10 anos de convívio com Hermógenes, a maior parte dele, relativamente próximo, várias qualidades me chamaram a atenção. Sua alegria contagiante que se manifestava através de piadas, ou mesmo brincadeiras, especialmente com a língua portuguesa. Fazia isto com especial habilidade e riqueza.
Outra qualidade era a paciência, que se mostrava nas horas de autógrafos infindáveis, ou quando alguns alunos lhe contavam seu problemas através de longas, quase intermináveis histórias, e ele atentamente escutava.
Mas uma das coisas que presenciei dele, que mais me chamou a atenção foi a amorosidade irrestrita que dedicava às pessoas. Poderia chamar de uma quase incapacidade de ver maldade nas pessoas.
Certa vez, por volta dos anos de 2004, época em que o Professor ainda dispensava acompanhante em suas viagens, pois aos 83 anos, ainda tinha a capacidade de fazer tudo sozinho, veio à Curitiba para um seminário.
Ao final de visitas, palestras e conversas, tivemos nosso tempo apertado para o aeroporto, para seu voo de retorno. Acabamos por perder nosso horário de almoço. Restou apenas a opção, não muito saudável, sanduíche e um suco.
Quando nos dirigimos à atendente do caixa para fazer um pedido, Hermógenes começou a ler o colorido, ilustrado e confuso cardápio de opções. A moça que nos atendia, na ânsia de finalizar seu trabalho, começou a demonstrar sinais de impaciência, e quase falta de educação. O Professor Hermógenes em nenhum momento pareceu se incomodar, fez sua escolha tranquila, tentando o mais saudável dentro do possível.
A moça, ainda mais nervosa pela tranquilidade do velho senhor, responde com forte rispidez:
- E o senhor... Deseja ainda mais alguma coisa??? - Já desejosa de não ouvir resposta.
Para seu quase completo transtorno mental, o querido Professor respondeu:
- Sim.
E nada mais falou, apenas sorriu para a moça, o que a deixou ainda mais transtornada, e com a boca retorcida, não se conteve:
- Então o que mais o senhor deseja?
Ele a olhou com olhos impassíveis, tranquilos e sinceros. Sorriu levemente, se aproximou um pouco mais dela, e respondeu, em tom um pouco mais baixo:
- Desejo a sua felicidade, quero que você seja feliz.
O sorriso sem graça da moça tentou disfarçar as lágrimas que lhe encheram os olhos.
E esta foi uma das muitas vivências que tive, com um Mestre que tocava o coração de muitos.

Texto do Irmão Vitor Caruso Jr. em Maio de 2012

Servo Hermógenes

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Se desconfia sobre a perfeição de Deus. Entrega!
Se acredita em Sua Sabedoria. Entrega!
Se Deus possui Poder, por que não se Entrega?
Se ainda não sente Sua Presença. Entrega!

Sua Lei, Sua Verdade, sempre se manifesta. Confia!
Nenhuma folhinha cai sem a Sua vontade. Confia!
Quando surge algum revés, por que não Confia?
Se não compreender neste instante, apenas Confia!

Cada irmão está em caminhada evolutiva. Aceita!
Você já aprendeu com erros de seu passado, então, Aceita!
Se um dia já recebeu compreensão, por que hoje não Aceita?
Cada um de nós tem seu próprio despertar. Aceita!

Evoluir, aprender são tarefas árduas. Agradeça!
Enquanto não atingiu a perfeição, Agradeça!
Em caso de dura lição, por que não pensa: Agradeça!
Não conheces quem sofre mais que ti? Agradeça!

Entrega! Confia! Aceita! Agradeça!
Suprema lição sobre a Divina Sabedoria, Poder e Presença!
Entrega! Confia! Aceita! Agradeça!
Suprema lição do humilde servo: Professor Hermógenes!

Composição do Irmão Vitor Caruso Jr. em Maio de 2012Herm%25C3%25B3genes%2520e%2520eu%2520menor

Sobre o Livro Amaria, aprofundamento de estudos direcionados por Hermógenes

Caminhemos Juntos



Peço sua companhia nesta caminhada.
Lado a lado, notemos nossa irmandade em nossas dificuldades, e também nas alegrias.
Meu querido Professor Hermógenes, que acompanhei por tantos anos, me ensinou a buscar Deus nos olhos de cada um.
Olhar milagroso, que capta luz do ambiente, estimula o cérebro, e leva à mente a miraculosa imagem.

De Hermógenes aprendi sobre Pietro Ubaldi, que ensinava sobre a perfeição divina que não aparece somente em um fenômeno isolado, mas em todos os fenômenos, e mais fantasticamente, em toda lei que determina os fenômenos.
Deus não é só o criador, transcendente, é a própria criatura, emanente, mas também as leis que as regem, todas as leis que causam todos os fenômenos, todas as leis também são de Deus.
Deus estaria até no sofrimento, miséria, violência, fome, ganância, ambição, e até na estreiteza mental.
Esta mesma estreiteza que nos impede de vê-Lo, de percebê-Lo.
No sofrimento Deus está, pois ele surge na incompreensão de que seu Reino não é deste mundo.
Na miséria Deus está, pois ela nos revê os valores materialistas, passageiros e fúteis que tanto buscamos.
Na violência Deus está, pois ela nos destrói, para percebermos a irmandade das criaturas, e a sobrevivência daqueles que privilegiam esta irmandade.
Na fome Deus está, pois temos mais alimentos no mundo do que bocas para nutrir, mas a nossa ganância, ambição, e estreiteza, nos coloca em ação a favor da miséria.
Estas todas as mazelas nos fazem aprender, a evoluir, para aprender sua Lei, para estar mais perto Dele, sentir, vivenciar, acalentar a Presença Divina.

Mas por compaixão, ainda recebemos alguns guias, Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Clara de Assis, João da Cruz, Tereza Dávila, Joanna Darc, Kardec, Gandhi, Luther King, Madre Teresa, Chico Xavier, Irmã Dulce, Dalai Lama e muitas aparições de Nossa Senhora, em Lourdes, Fátima, Egito, Paris e tantos outros lugares.
Caminhemos juntos...

Deus quer nosso avanço, nossa evolução, nosso entendimento.
Estuda e ajuda.
Ora e vigia.
Reza e trabalha.
Hermógenes ressaltou-me, o melhor presente que Jesus gostaria de receber é você mesmo.
Você mesmo, embrulhado pra presente em amor, caridade, serviço, gentileza, auxílio, compaixão e ajuda.
Caminhemos juntos...

Ajude-me nesta evolução, seja um exemplo para mim, seja alguém a quem deva imitar.
Ajude-me com ações, ideias, transformações.
Ajude-me com sua alegria radiante, com seu sorriso motivador e com o humor contagiante.
Certa vez Hermógenes me disse, meu trabalho é sair da frente de Deus.
Pois é isto, vamos sair todos da frente de Deus, para que seu Amor flua diretamente entre todas as suas criaturas.

Irmão Vitor Caruso Jr. em Maio de 2012




Yoga e os Seus Verdadeiros Riscos

Li a reportagem de Marcela Buscato e Luiza Karam, na Revista Época, sobre a polêmica de um livro norte-americano que se autoproclama "a primeira avaliação imparcial do yoga feita em milhares de anos".
Em reflexão acredito que seja válido alertar a todos para a importância da busca de bons profissionais.

Tenho dificuldade de entender por que a reportagem dá ênfase em alguns incidentes isolados ocorridos em aulas de yoga, e não dá o destaque à informação técnica, e fundamentada de que a prática do yoga "está longe de ser comparada com as lesões causadas por outros exercícios, como corrida, ciclismo, natação, ou musculação", frase do porta-voz da Sociedade Americana de Ortopedia para Medicina Esportiva.

Senti falta, quando a reportagem pretendeu falar sobre o possível risco da prática de yoga a longo prazo, sem apresentar e conversar com os professores mais experientes e conhecidos, e que realmente viveram praticando yoga, como o Professor Hermógenes (90 anos) no Rio de Janeiro ou a Professora Monserrat (85 anos) no Paraná, os dois, bem ativos até hoje. Ambos brasileiros.

A reportagem se concentrou no professor uruguaio Pedro Kupfer, mas omitiu, ou desconheciam, que o mesmo professor já possuía lesões na coluna antes do acontecimento descrito. Lesões adquiridas por outros esportes. O mesmo professor descreveu a mim seu histórico de contusões para a biografia do Prof. Hermógenes. E o fato deste mesmo professor usar o yoga como forma de recuperação de seu problema.

A sobrevalorização de incidentes isolados acabam por ampliar reações de medo nas pessoas, e as mesmas, com a impressão de estarem bem informadas, estão apensas se isolando em um processo de maior discriminação, receio, e até mesmo preconceito.
Pessoalmente, conheço pessoas que vivenciaram a seguinte situação:
- Quebraram uma costela com um espirro;
- Danificaram a coluna com um solavanco do veículo que passou por uma lombada;
- Fratura exposta por pular na cama elástica em aniversário infantil;
- Queda violenta no play-ground (parquinho) infantil;
- Dedo do pé quebrado em aula de ginástica aeróbica;
- Dedo da mão quebrado ao procurar levantar o filho no colo; e por último,
- Sério comprometimento da vista por bolada de futebol (história do craque Tostão)

Penso em quanto devo aprofundar as informações, antes de generalizar o risco do espirro, da lombada, da cama elástica, do parquinho, da ginástica aeróbica, de pegar o filho no colo, ou jogar futebol.

Sugiro a quem quiser se aprofundar no assunto, o premiado livro na área médica sobre anatomia do yoga, chamado Anatomy of Hatha Yoga http://www.amazon.com/Anatomy-Hatha-Yoga-Students-Practitioners/dp/0970700601

Reportagem que comentei: http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/02/o-lado-perigoso-da-ioga.html

Feliz Ano Novo de Novo


Preces, esperanças, desejos, sorrisos, alegria e paz, em votos, cantos e celebrações.
Amor nas músicas, nas preces, nas intenções.
Será quem em minhas concretizações?
Fogos de artifício que ensurdecem cães, gatos e pássaros!
Excesso alimentar de alguns, e um espírito mais fraterno ausente.
Álcool e outras drogas, inflando a alegria superficial.
Pedagogos dos maus hábitos e vícios, atraímos as crianças para que repliquem nossos vícios.
E então, com estas concretizações em gestos, imploramos por: “Sorte no amor, saúde para dar e vender”.
O amor se enquadraria nas categorias de aleatoriedade ou jogos de azar?
Ou amor é sedimentado na construção, de hábitos, na superação de dificuldades? Como diriam alguns cientistas, estabelecendo novas conexões neurais?
Qual é o real direcionamento de nosso cotidiano para este amor evoluído?
Seria bom se investisse na capacidade de amar mais do que ontem, hoje, e ainda mais, amanhã.
Transformação, disciplina, esforço, aceitação, gentileza, compreensão, qual ação posso intensificar agora?
E a saúde?
Como somos permissivos aos excessos!
Carnes que desertificam áreas, que restringem a pluralidade agrícola, que prejudicam o funcionamento intestinal, que semeiam câncer, diabetes e problemas cardio circulatórios.
Bebidas que entorpecem nossa mente, sob a desculpa de desinibir, afugentam nosso senso crítico, nossa capacidade de contribuição em exemplo de palavras, gestos, e até de pensamentos.
Devemos querer mais. Mais educação para nossas crianças. Mais dignidade daqueles de vida pública. Mais profissionalismo no atendimento ao público. Mais ambição de desenvolvimento.
E que isto aconteça já! Como?
Que eu seja mais educado! Que tenha um comportamento mais digno! Que trate melhor ao próximo! Que ambicione evoluir a mim mesmo!
Se eu conseguir, com certeza terei um Feliz Ano Novo.

Por Irmão Vitor Caruso Jr. em Janeiro de 2012

Reflexões de uma Sexta de Yoga

Sexta-feira, dia 18 de Novembro de 2011.
No dia anterior havia vivido uma mistura enorme de emoções.
Lançamento de meu novo livro, AMARIA, no Rio de Janeiro.
Este lançamento era especial, pois contava com a presença do Prof. Hermógenes, professor que me instruiu no estudo e na leitura das principais referências que desenvolvem a obra. O trânsito do Rio nos mostrou sua face, ao gerar atraso e um pouco de tensão em todos que vieram para o lançamento. Mas a alegria da presença do amado Professor, somado ao interesse dos presentes, fez com que a noite nos deixasse descansar com a sensaçāo de dever cumprido.
A Sexta-feira começou cedo, 6h. 7h era o início da prática de Ashtanga Vinyasa Yoga do amigo professor Matthew. Um pequeno acidente entre uma moto e um ônibus gerou bastante lentidāo no trânsito, o que acarretou um pequeno atraso em diversos alunos, inclusive eu. Sexta é o dia que Matthew ministra a aula conduzida, e procurei seguir a condução de forma atenta, principalmente na respiraçāo. Fim de prática, e Matthew me apontou como a minha intensa jornada aprece como um pouco de cansaço durante a prática. Sai de lá refletindo mais uma vez sobre a importância do descanso como parte da disciplina.
Fui a uma deliciosa padaria que fica em frente à Rede Globo, e tomei meu café da manhã com Krishnamachaya, isto mesmo, café acompanhado da leitura de Yoga Makaranda. Logo no início do livro ele ressalta a importância das horas de sono e do descanso para a tranquilidade mental. Na sequência relaciona esta ideia ao yoga, como discplina para esta tranquilidade mental, e saúde.
Depois do café, um bom banho, e agora junto de minha amada esposa Lili, seguimos rumo à um almoço com Hermógenes. Trocamos presentes, piadas e histórias, entre sorrisos harmoniosos. Conheci Lili por causa de Hermógenes, que celebrou nosso casamento e hoje brincou com nossa filha. Uma especial Sexta de Yoga.

Um Trabalho Voluntário

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Estava fazendo estágio do curso de psicologia da PUC-PR, em um lar de crianças em Curitiba.
Neste lar viviam trinta e três meninas, de 07 a 17 anos, consideradas em risco social.
As mais diversas histórias, desde a mãe que comercializava a filha em prostituição, pais drogados, vítimas de violência, ou até, crianças que tinham bons pais, mas a condição material do lar da prefeitura era superior ao de sua casa de origem.
O estágio durou alguns poucos meses, mas estes poucos meses foram suficientes para gerar um relação com aquelas meninas.
Relação esta que durou quatro anos.
Permitiu gestos de alegria e aprendizado únicos.
Desde às aulas de yoga e meditação, conversar, campanhas de doação para a casa, manutenção dos computadores quebrados, gincanas. Levamos duas delas para conhecer o Dalai Lama. Fizeram apresentação de ásanas e posturas para o Prof. Hermógenes, e também para a Dra. Zilda Arns.
Todos os sábados de manhã, éramos esperados com expectativa sobre qual novidade traríamos.
Tenho certeza, não esquecerei jamais delas, e a recíproca que recebo em sentimento, é indescritível.